Um problema de saúde bastante comum, mas que nem sempre é facilmente identificado: as reações alérgicas. Elas podem surgir de forma leve ou mais intensa e, em muitos casos, são confundidas com outros desconfortos do cotidiano, o que dificlulta o diagnóstico e o tratamento adequado. De acordo com a docente do curso de Biomedicina da Unopar, Beatriz dos Santos Souza Brito, alergias ocorrem quando o sistema imunológico reage de forma exagerada a substâncias que, para a maioria das pessoas, são inofensivas. “O organismo passa a identificar determinados agentes como ameaça e desencadeia uma resposta imunológica que pode se manifestar de diferentes formas”, explica. “As reações alérgicas são mediadas, na maioria dos casos, pela imunoglobulina E (IgE). Quando uma pessoa sensibilizada entra em contato novamente com o alérgeno, essa imunoglobulina desencadeia a liberação de histamina e outras substâncias inflamatórias pelos mastócitos, causando sintomas como espirros, coceira, vermelhidão, inchaço e dificuldade respiratória”, complementa. Segundo a especialista, ignorar sinais recorrentes pode fazer com que o quadro alérgico se mantenha ativo e até se agrave com o tempo. “Quando a exposição ao agente causador continua e não há identificação do problema, os sintomas podem se intensificar, afetando a qualidade de vida e, em alguns casos, evoluindo para reações mais severas”, alerta. Entre as possíveis consequências da falta de atenção às alergias, a docente destaca o aumento da frequência e intensidade dos sintomas, como crises respiratórias, irritações cutâneas persistentes e desconfortos gastrointestinais recorrentes. Em situações mais graves, algumas reações podem exigir atendimento médico imediato. Além disso, a não identificação do agente causador pode levar à piora progressiva do quadro, já que a pessoa continua em contato com a substância desencadeante sem perceber a relação com os sintomas. Segundo a docente, a observação dos sinais é fundamental para identificar possíveis alergias. “Muitas vezes, o paciente convive com sintomas recorrentes sem relacioná-los a um agente específico. A investigação adequada é essencial para melhorar a qualidade de vida e evitar a evolução do quadro”, conclui. A seguir, a docente explica algumas alergias comuns e exemplos de substâncias envolvidas: Alergia a poeira doméstica Muito frequente, pode causar espirros, coriza, coceira no nariz e nos olhos, especialmente em ambientes fechados. Geralmente está associada aos ácaros presentes em poeira acumulada em roupas de cama, tapetes e estofados. Alergia a pelos de animais Apesar do nome, a reação costuma estar ligada as proteínas presentes na saliva, pele e urina de cães e gatos. Pode provocar sintomas respiratórios como espirros, tosse e dificuldade para respirar em pessoas sensíveis. Outras alergias que também podem passar despercebidas no dia a dia: Alergia a alimentos Entre os alimentos mais associados a reações alérgicas estão leite, ovos, amendoim, castanhas, frutos do mar (como camarão e mariscos), trigo e soja. Os sintomas podem incluir coceira, inchaço, náuseas e desconforto gastrointestinal. Alergia a medicamentos Alguns medicamentos podem desencadear reações alérgicas, como antibióticos (ex: penicilinas e sulfonamidas), anti-inflamatórios e analgésicos. As manifestações variam de irritações na pele a reações mais intensas, que exigem atenção médica imediata. Alergia a produtos de limpeza e cosméticos Produtos com fragrâncias, conservantes e substâncias químicas podem causar alergias de contato. Exemplos incluem detergentes, desinfetantes, sabonetes, perfumes, esmaltes e produtos de maquiagem, podendo gerar vermelhidão, coceira e irritação na pele. Leia Também: Chá verde substituindo café? Entenda efeitos de cada bebida no organismo