A medida ocorre em meio à pressão crescente da concorrência global, mudanças no comportamento dos consumidores e avanço tecnológico no setor automotivo. O chamado “Future Plan” foi apresentado pela direção da Volkswagen e aprovado por unanimidade pelo conselho de supervisão da empresa. Segundo a companhia, o objetivo é tornar o Grupo Volkswagen e suas marcas mais eficientes, competitivos e preparados para o futuro. A empresa afirmou que, além dos programas que já estão em andamento, será necessário fazer uma nova redução significativa no quadro de funcionários para alcançar os objetivos do plano e preservar a competitividade do grupo. A Volkswagen, porém, não informou quando os cortes ocorrerão nem como as reduções de pessoal serão distribuídas entre suas diferentes marcas e regiões. Plano Futuro 2030 Frente do plano O que a Volkswagen pretende fazer Número/Meta Negócio principal Concentrar esforços no negócio automotivo essencial 9 milhões de veículos vendidos por ano Margem operacional Aumentar a rentabilidade do grupo 9% (cerca de € 31 bilhões) Custos indiretos Limitar os gastos administrativos e de outras áreas de apoio € 37 bilhões Investimentos e P&D Destinar recursos para investimentos e pesquisa e desenvolvimento € 135 bilhões Modelos de veículos Reduzir a quantidade de modelos oferecidos -50% Complexidade das ofertas Diminuir o número de versões e combinações disponíveis -75% Força de trabalho Reduzir o quadro global de funcionários, incluindo cargos de gerência e liderança Cerca de 50 mil posições Fábricas na Europa Reorganizar a produção diante da capacidade acima da demanda Mais de 500 mil unidades de capacidade excedente Fábricas alemãs Rever o futuro das unidades de Emden, Zwickau, Hanover e Neckarsulm Alocação futura não garantida de forma escalonada Como estava a Volkswagen em 2025 O anúncio ocorre depois de um 2025 marcado por dificuldades para o Grupo Volkswagen. No ano, a companhia entregou 8.983.900 veículos em todo o mundo, uma queda de 0,5% em relação a 2024. A receita de vendas ficou praticamente estável, em € 321,9 bilhões, ante € 324,7 bilhões no ano anterior. Já o resultado operacional caiu de forma mais acentuada. O indicador passou de € 19,1 bilhões em 2024 para € 8,9 bilhões em 2025, uma redução de 53,5%. Segundo os dados apresentados pela companhia, a queda foi influenciada principalmente por gastos extraordinários. Entre eles estão a readequação estratégica de produtos e a redução do valor registrado para o segmento operacional da Porsche, que tiveram impacto acumulado de € 4,7 bilhões. Também pesaram € 2,9 bilhões em despesas relacionadas ao aumento de tarifas sobre importações nos Estados Unidos e outros € 1,3 bilhão em custos de reestruturação de pessoal, concentrados nas operações da Audi, Cariad e Volkswagen Sachsen. O resultado operacional sobre as vendas ficou em 2,8% em 2025, ante 5,9% em 2024. A Volkswagen tem como objetivo recuperar esse indicador para uma faixa de 8% a 10% até 2030. Apesar da queda no resultado operacional, o fluxo de caixa líquido da divisão automotiva aumentou € 1,3 bilhão, para € 6,4 bilhões. Com isso, a divisão encerrou 2025 com € 34,5 bilhões em recursos disponíveis. Volkswagen também avança nos carros elétricos Outro movimento importante em 2025 foi o aumento da participação dos veículos totalmente elétricos nas entregas do grupo. Os modelos 100% elétricos representaram 10,9% das entregas mundiais da Volkswagen em 2025, ante 8,2% em 2024. Mesmo com esse avanço, a empresa fechou o ano com uma redução de 2,3% no número médio de funcionários. Considerando as operações e as empresas parceiras na China, o grupo empregou, em média, 667.164 pessoas em 2025. Sem incluir essas empresas parceiras na China, a Volkswagen tinha 602.659 funcionários ativos em 31 de dezembro de 2025. Quais marcas fazem parte do grupo O Grupo Volkswagen reúne diferentes marcas e operações, que tiveram desempenhos distintos em 2025. O grupo de marcas chamado Core, que reúne Volkswagen, Škoda, SEAT/CUPRA, Volkswagen Commercial Vehicles e Componentes Técnicos, vendeu 5,125 milhões de veículos. A receita foi de € 145,2 bilhões, com resultado operacional de € 6,8 bilhões.O grupo Progressive, formado por Audi, Bentley, Lamborghini e Ducati, vendeu 1,145 milhão de veículos, com receita de € 65,5 bilhões e resultado operacional de € 3,4 bilhões.A Porsche, classificada no grupo Sport Luxury, vendeu 266 mil veículos e teve receita de € 32,18 bilhões. O resultado operacional, porém, ficou em apenas € 90 milhões, afetado pelas despesas relacionadas às amortizações mencionadas anteriormente.Já o grupo de caminhões, que reúne Scania, MAN, International e Volkswagen Truck & Bus, vendeu 306 mil veículos, com receita de € 42,54 bilhões e resultado operacional de € 2,41 bilhões. E como fica a Volkswagen no Brasil? Enquanto o grupo reduziu seu quadro de funcionários globalmente em 2025, a Volkswagen registrou crescimento no número de empregados no Brasil. Em 31 de dezembro de 2025, a empresa tinha 23.297 colaboradores ativos no país, ante 22.810 no fim de 2024. O Brasil concentra a maior parte dos funcionários da Volkswagen na América do Sul. A região tinha 32.004 empregados, o equivalente a 5% de toda a força de trabalho global do grupo. A maior parte desses profissionais tinha contratos permanentes. Eram 30.474 trabalhadores com contratos por tempo indeterminado. Além disso, 31.864 atuavam em período integral. Os funcionários estão distribuídos por importantes unidades industriais no país. Entre elas estão a fábrica de Anchieta, que produz veículos; a fábrica de Curitiba, também voltada à produção de veículos; e a fábrica de São Carlos, que produz motores e componentes. Há ainda a fábrica de Resende, da Volkswagen Truck & Bus, responsável pela produção de caminhões e ônibus. Investigação sobre informações de funcionários A Volkswagen do Brasil também aparece em um processo administrativo aberto pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em outubro de 2024. A investigação apura alegações de troca inadequada e anticompetitiva de informações sobre recursos humanos e dados salariais de funcionários entre montadoras no Brasil. O caso faz parte dos desafios de conformidade e conduta de negócios enfrentados pela subsidiária brasileira. *Com informações da Reuters Golf GTI 2026 — Foto: divulgação/Volkswagen