Com trabalhadores faltando por medo de abordagens do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), serviço de imigração dos EUA, fábricas reduziram o ritmo de abate e milhares de bois tiveram o envio para processamento atrasado. O problema acontece em um momento delicado para a cadeia de carne americana: o país tem o menor rebanho bovino em cerca de 75 anos e a carne está em preços recordes. Por isso, uma nova redução no ritmo dos frigoríficos pode aumentar ainda mais a pressão sobre a oferta. Por que a carne está tão cara nos EUA? A produção de carne bovina depende de uma cadeia relativamente simples. Primeiro, o pecuarista cria o gado. Depois, os animais são enviados para confinamentos e, quando estão prontos, seguem para os frigoríficos. É ali que são abatidos e transformados em carne para chegar aos supermercados e restaurantes. Nos últimos anos, os produtores americanos reduziram o número de animais porque a seca encareceu e dificultou a criação. Com menos bois disponíveis, há menos matéria-prima para os frigoríficos processarem. E, quando a oferta de um produto diminui enquanto a procura continua, o preço tende a subir. Trump tenta aumentar a oferta de carne Trump também abriu uma investigação sobre o funcionamento do mercado e das grandes empresas processadoras. O preço da comida também pesa nas eleições A discussão ganhou importância porque os Estados Unidos terão eleições de meio de mandato em novembro. ➡️ Nessa votação, os americanos vão escolher deputados e parte dos senadores. O resultado define quem terá maioria no Congresso durante os próximos dois anos. O custo de vida é uma das preocupações do eleitorado. Uma pesquisa Reuters/Ipsos realizada em setembro mostrou que 17% dos americanos aprovavam a atuação de Trump em relação ao custo de vida. A carne bovina é apenas um dos alimentos que ficaram mais caros, mas tem um peso importante porque faz parte da alimentação cotidiana e porque o problema envolve diretamente produtores rurais, frigoríficos e consumidores. O que a imigração tem a ver com o preço da carne? O Kansas é um dos principais centros de processamento de carne bovina dos Estados Unidos. Nesta semana, agentes do ICE intensificaram operações em cidades como Dodge City, Liberal e Garden City. Segundo autoridades locais, organizadores comunitários e entidades do setor, parte dos trabalhadores deixou de ir aos frigoríficos por medo de ser abordada pelos agentes. O resultado foi uma redução no ritmo de algumas fábricas. E isso cria um problema para a cadeia: não basta ter gado disponível. É preciso ter trabalhadores e capacidade para transformar os animais em carne. Abate de gado caiu 16% O impacto já apareceu nos dados oficiais. Na quinta-feira (24), os frigoríficos americanos abateram cerca de 90 mil bovinos, uma queda de 16% em comparação com a mesma quinta-feira da semana anterior, segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). Na quarta-feira, a redução havia sido de aproximadamente 9%. Não é possível dizer quanto dessa queda foi causada diretamente pela operação do ICE. Mas entidades do setor afirmam que a redução da mão de obra e os atrasos nos transportes de animais já estão afetando a cadeia. São quase oito cabeças de gado bovino para cada tocantinense — Foto: Divulgação/Licia Rubinstein/Agência IBGE Notícias
