“Vamos avançar rápido com ela”, disse Randolfe. Lula: ‘Tratamos minerais críticos como questão de soberania nacional’ “Disse ao presidente [Donald] Trump que não só fizemos uma coisa extraordinária aprovando na Câmara ontem a lei sobre a questão dos minerais críticos, como a aprovação de um Conselho sob a coordenação da Presidência da República, tratando a questão dos minerais críticos como uma questão de soberania nacional”, afirmou Lula em entrevista coletiva após o encontro com Trump. Agradecimento a Motta O governo chegou a pedir ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para que o projeto fosse aprovado antes do encontro entre o presidente brasileiro e o presidente dos Estados Unidos. Após a aprovação na Câmara, Lula ligou para Motta e, na sequência, para o relator da matéria na Câmara, deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), para agradecer pela votação e elogiar o texto aprovado. Lula tinha acabado de chegar nos Estados Unidos quando fez a ligação. Câmara aprovou projeto em sessão nesta quarta-feira (6) — Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados Pouco antes da votação, durante um evento de comemoração aos 200 anos da Câmara dos Deputados, Arnaldo Jardim conversou com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que se comprometeu a dar prioridade ao assunto na outra Casa. Senadores ouvidos pela GloboNews avaliam que o assunto deve, sim, ter tramitação acelerada no Senado, já que existe um entendimento de que o assunto está “acima de governo” e “é interesse de todos”. Setor quer mudanças O presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Pablo Cesário, elogiou a aprovação e disse que a proposta traz importantes medidas de apoio à industrialização – como crédito ao setor e a criação de um fundo de garantia para incentivar o processamento de minérios no país. “[As medidas de apoio] Estão aquém do que o mundo está fazendo, mas antes não tínhamos nada”, disse à GloboNews. “Governo e oposição concordando num tema ultra complexo, isso é coisa de país maduro.” Terras raras: tipos e usos — Foto: Arte/g1 Contudo, Cesário diz que o setor deve trabalhar para fazer algumas modificações no Senado – em especial, mudanças no Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE), vinculado à Presidência da República. 🔎Pelo texto, o órgão será composto por 15 integrantes do Poder Executivo, além de representantes dos estados, municípios, do setor privado e de instituições de ensino superior. A proposta aprovada estabelece que o conselho será responsável por homologar a venda de mineradoras em áreas de minerais críticos e estratégicos, além de acordos e contratos internacionais. Na Câmara, o relator já havia feito uma concessão ao setor de mineração e trocou a exigência de análise prévia das negociações por uma homologação posterior. A chancela do órgão é considerada uma medida importante, tanto para o governo quanto para o relator, para garantir os princípios de soberania nacional. Já o presidente do Ibram avalia que a medida traz uma intervenção do estado no mercado de mineração. Segundo ele, é preciso estabelecer critérios para uma eventual negativa do conselho. “Não pode ser à vontade de quem está lá [no conselho]”, disse. “Os governos duram quatro anos, projeto de mineração nunca levam menos de 10 anos.” Outro ponto que o setor acredita que precisa ser modificado no Senado é o período de caducidade – ou seja, o prazo de autorização de pesquisa em áreas de minerais críticos a partir da licença de alvará. A primeira versão do relatório falava em um período de cinco anos, mas após pressão do setor Arnaldo Jardim ampliou para 10 anos. O presidente do Ibram defende que não haja prazo e argumenta que, muitas vezes, os projetos de mineração demoram por razões que não estão no controle do minerador – por exemplo, autorizações ambientais. Ainda segundo ele, o Código de Mineração já tem mecanismos para evitar a procrastinação deliberada na exploração das áreas.
