Betim inicia mobilização para implantar Método Wolbachia contra a dengue
A Prefeitura de Betim e o Governo de Minas Gerais, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o World Mosquito Program (WMP) Brasil, iniciaram o engajamento comunitário para implantar o Método Wolbachia no município. A medida visa reduzir a transmissão de dengue, Zika e chikungunya por meio da liberação de mosquitos com a bactéria Wolbachia, prevista para começar no segundo semestre de 2026. As ações de conscientização ocorrem desde abril em bairros com maior incidência do Aedes aegypti.
Critérios de seleção e bairros atendidos
A definição das áreas prioritárias para receber a iniciativa baseou-se nos dados do Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa). Equipes realizam visitas diretas e distribuem materiais informativos para dialogar com os moradores sobre a estratégia de controle biológico.
A mobilização abrange localidades como Alvorada, Amarante, Amazonas, Campos Elíseos, Capelinha, Cruzeiro, Distrito Industrial Jardim Piemonte (Norte e Sul), Distrito Industrial Paulo Camilo (Norte e Sul), Estância do Sereno PTB, Granja Verde, Guanabara, Imbiruçu, Jardim Nazareno, Jardim Terezópolis, Laranjeiras, Nova Baden, Parque das Acácias, Paulo Camilo, Petrovale, Presidente Kennedy, Renascer, Riacho III, São Caetano, São Cristóvão, São Luiz, Santa Cruz, Santo Antônio, Vila Boa Esperança, Vila Cristina, Vila Universal e Vila Verde.
Como funcionam os “Wolbitos”
Os mosquitos carregam a bactéria Wolbachia, um microrganismo natural que impede o desenvolvimento dos vírus da dengue, Zika e chikungunya no inseto. Os espécimes são produzidos em uma biofábrica em Belo Horizonte e liberados de forma controlada.
Ao cruzarem com a população local de mosquitos, a bactéria é transmitida para as próximas gerações. Com o tempo, a população de insetos com capacidade de transmitir as doenças é substituída por vetores incapazes de infectar humanos. O método não envolve modificação genética e é considerado seguro para o meio ambiente e à saúde humana.
Histórico e eficácia da estratégia
O método é aplicado globalmente em 15 países pelo WMP. No Brasil, o município de Niterói (RJ) foi o primeiro a atingir cobertura integral da estratégia. Em 2024, a cidade fluminense registrou redução de 89% nos casos de dengue em comparação à média histórica local. Enquanto o índice nacional naquele ano atingiu 3.157 casos por 100 mil habitantes, Niterói contabilizou 374 casos por 100 mil habitantes.
Financiamento e reparação
O projeto em Betim é financiado com recursos do acordo de reparação aos danos causados pelo rompimento da barragem em Brumadinho, ocorrido em 2019. O termo, assinado em 2021 entre o governo estadual, instituições de Justiça e a mineradora Vale, destina verbas para ações de reestruturação social, econômica e ambiental nos municípios impactados pela tragédia.
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Fonte: Secretaria Municipal de Comunicação | SECOM
