Mineira desenvolve ferramenta digital que aciona socorro para mulheres sem toque no dispositivo
A empresária mineira Mila Xaves desenvolveu o +Mulher, uma ferramenta digital que permite o acionamento discreto de pedidos de socorro em situações de violência doméstica ou risco iminente. Motivada pelo assassinato da prima em fevereiro de 2026, a desenvolvedora criou um sistema que funciona em segundo plano e pode ser ativado sem que a vítima precise tocar ou desbloquear o aparelho celular. A tecnologia, que está em fase final de testes, visa reduzir o tempo de resposta e a vulnerabilidade feminina diante do aumento de 4,7% nos casos de feminicídio registrados no último ano.
Origem e Propósito
A ideia surgiu após o feminicídio de Priscila Beatriz Assis Teixeira, de 38 anos, morta a facadas em Campos Altos (MG). Mila Xaves, que atua no setor tecnológico, transformou o luto em um projeto de segurança pública. “Passei a pensar em soluções que pudessem reduzir a vulnerabilidade das mulheres. Muitas vezes a vítima não consegue sequer pegar o telefone ou fazer uma ligação”, pontuou a empresária.
Ao lado dos engenheiros Pedro Gandra e André Oliveira, Mila focou em um problema comum: a impossibilidade de reação evidente durante uma agressão. O software opera mesmo com o dispositivo a alguns metros de distância da usuária, garantindo que o alerta seja emitido sem despertar a suspeita do agressor.
Funcionamento do Sistema
O +Mulher baseia-se em uma rede de proteção imediata e compartilhamento de dados em tempo real:
Rede de Emergência: A usuária cadastra até cinco contatos de confiança.
Alertas Insistentes: Ao ser acionado, o sistema envia notificações contínuas para os contatos cadastrados.
Localização em Tempo Real: Os socorristas particulares recebem a coordenada exata da vítima para facilitar a ajuda rápida.
Integração com Autoridades: O projeto prevê o compartilhamento futuro dos dados com órgãos de segurança pública.
Conscientização e Dados
Além da funcionalidade de emergência, a plataforma abriga uma comunidade voltada à prevenção, com palestras online e conteúdos sobre segurança pessoal. O lançamento ocorre em um momento crítico: dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revelam que 1.568 mulheres foram vítimas de feminicídio em 2025. Desde a criação da lei em 2015, o Brasil já soma mais de 13,7 mil mortes por questões de gênero.
“O objetivo é garantir acesso rápido em caso de necessidade e fortalecer a rede de apoio por meio de tecnologia e informação”, afirmou a desenvolvedora.
Panorama do Feminicídio e Tecnologia
| Indicador | Dado Estatístico | Impacto da Solução |
| Vítimas em 2025 | 1.568 mulheres | Foco em reduzir o tempo de socorro |
| Crescimento (24/25) | 4,7% de alta | Tecnologia como barreira preventiva |
| Total desde 2015 | 13.703 mortes | Fortalecimento da segurança de gênero |
| Ativação +Mulher | Sem toque no celular | Disrição total em casos de agressão |
Fonte: Ivana Andrade – Assessoria de imprensa
