VITOR MORENOSÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Corra, Lucky, corra! É sendo perseguida que a personagem de Anya Taylor-Joy, 30, passa boa parte do tempo em “Lucky”, série cujos sete episódios estão disponíveis na Apple TV. Na trama, após participar de um roubo milionário, Lucky acorda sozinha em um quarto de hotel. O marido, Cary (Drew Starkey) desapareceu, assim como a maleta cheia de dólares que a dupla havia afanado. A partir de então, ela passa a ser procurada tanto pela polícia quanto pelos mafiosos de quem pegaram o dinheiro. Mas Lucky é boa de lábia: sabe ler o que os outros esperam dela e, assim, adaptar-se ao contexto. Algo que a própria Anya, de certa forma, também aprendeu a fazer desde cedo. “É interessante porque tanto Lucky quanto eu, por motivos muito diferentes, crescemos sem nunca ter de fato um lugar fixo ao qual pertencêssemos, mas acho que reagimos a isso de formas muito diferentes”, conta ela ao F5, fazendo alusão ao fato de ter nascido nos Estados Unidos, passado a infância na Argentina e depois se mudado para a Inglaterra. “Eu reagi passando a adorar viver em movimento. Sabe, assim que não estou trabalhando, entro no carro, vou para um parque; quero ver, quero fazer coisas”, continua. “Ela, por sua vez, quer desesperadamente ficar parada. Então, pude, de certa forma, pegar meu instinto de estar sempre em movimento, transferi-lo para ela e transformá-lo em um instinto de simplesmente querer se estabilizar e encontrar equilíbrio.” As semelhanças não param por aí. Anya diz acreditar que há um ponto em comum no que cada uma escolheu como profissão. Isso porque, para ela, ser uma vigarista exige algum talento para a atuação. “Acho que um vigarista realmente bom provavelmente acredita no que está fazendo, da mesma forma que um ator realmente bom precisa acreditar no que está em jogo naquilo que está interpretando”, compara. “O comprometimento e a audácia são características que ambos têm em comum.” Isso, no entanto, não significa que um ator seja necessariamente bom em enganar os outros. Ela garante que, no caso dela, é o contrário. “Pessoalmente, eu seria uma péssima vigarista”, afirma. “Não consigo tirar proveito das pessoas, realmente não é a minha praia.” À frente de mais uma produção de ação, assim como “Furiosa” (2024) e “Entre Montanhas” (2025), Anya conta que vamos ver cada vez mais mulheres protagonizando esse tipo de produção. Ainda que, muitas vezes, ver atrizes nessas posições ainda seja tratado pelos estúdios como exceção. “Acho que é um processo”, analisa. “Quanto mais quem está no poder ouvir o que o público está dizendo, mais vai perceber que não só deve haver espaço para produções de ação protagonizadas por mulheres e para histórias femininas em geral, como esse espaço deve ser muito valorizado. As pessoas realmente querem isso. Somos 50% da população, então faz sentido.” Sobre uma possível continuação para a saga de “Lucky”, que foi vendida como uma minissérie, ela diz que é cedo para saber se isso vai acontecer. “Sinto orgulho do que fizemos”, desconversa. Ainda assim, ela gosta da sugestão da reportagem de que uma segunda temporada tenha cenas gravadas no Brasil. “Espero que ela não esteja mais enganando ninguém, mas adoraria que estivesse numa praia, se divertindo pra caralho – isso parece incrível! E, se é para fazer isso, acho que o Brasil é um ótimo lugar para estar.” “LUCKY”Quando: Disponível na Apple TVClassificação: 16 anosElenco: Anya Taylor-Joy, Annette Bening, Clifton Collins Jr., Aunjanue Ellis-Taylor, Timothy Olyphant e Drew Starkey, entre outros. Leia Também: Bruno Fagundes critica escalação de Juliano Floss em novela da Globo: ‘Carisma não segura cena’
‘Eu seria uma péssima vigarista’, diz Anya Taylor-Joy, que vive uma na série ‘Lucky’
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